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03/05/04
Ao ar na Rádio Nacional
Jornalista - Olá amigos em todo o Brasil. Eu sou Luiz Fara Monteiro e está começando
mais uma edição do Café com o Presidente, o programa de rádio do presidente Lula. Nós estamos gravando esta edição neste
domingo, dia 2 de maio, na cidade de São Bernardo do Campo, na residência do presidente Lula.
Presidente, como é que o senhor passou o Dia do Trabalho, o 1° de Maio, aqui em São Paulo?
Presidente - olha, este ano eu passei o 1º de maio igual eu passei o ano passado. Eu vou
à missa na matriz aqui em São Bernardo desde 1980, portanto, são 24 anos que nós fazemos a missa do trabalhador. Eu participei da missa e depois
eu fiquei em casa com a minha família. Não fui nos outros atos porque nós temos quatro centrais no Brasil. É preciso tomar cuidado em participar
de um ato e não participar de outro. Pode criar problemas na relação que o Estado tem que ter com o movimento sindical. Eu acho que o 1º de maio
é um 1º de maio igual a todos os outros, ou seja, é o momento em que os trabalhadores fazem as suas grandes reivindicações, é o momento
no Brasil e no mundo inteiro em que os trabalhadores protestam por aquilo que não conseguiram durante o ano inteiro, e eu acho que assim é que a gente vai consolidando
o processo democrático do Brasil.
Jornalista - presidente Lula, o aumento de R$ 20,00 no salário mínimo ainda está
repercutindo na sociedade. O que o senhor pode falar sobre isso?
Presidente - olha, nós tivemos uma grande discussão sobre o reajuste de salário
mínimo. E por que uma grande discussão? Porque nós temos um problema entre os trabalhadores da iniciativa privada e os trabalhadores que estão
aposentados e que recebem da Previdência Social. Para os trabalhadores da iniciativa privada, você poderia decretar um mínimo de R$ 400,00, R$ 450,00,
porque muitas e muitas empresas já pagam isso ou mais do que isso. Qual é o nosso problema ao decretarmos o salário mínimo? É o rombo da
Previdência Social, ou seja, nós temos este ano um déficit de R$ 31 bilhões e nós vamos consertar isso ao longo do tempo. Foi por isso que
nós fizemos a reforma da Previdência Social para corrigir esse rombo que a Previdência tem. Além disso, a Previdência tem um passivo de R$
200 bilhões, ou seja, pessoas que não concordam com alguma contribuição que têm que pagar para a Previdência e, ao invés de
pagar,entram na Justiça e, portanto, a Previdência fica com R$ 200 bilhões para receber e não recebe.
E isso faz com que o caixa da Previdência não tenha o dinheiro que nós gostaríamos
que tivesse para dar um aumento de salário mínimo maior. E nós tivemos uma outra grande preocupação, ou seja, elevar o salário mínimo
em mais R$ 10,00 significaria você gastar, em 12 meses, mais R$ 3 bilhões, ou seja, seria apenas você aumentar o rombo da Previdência Social. Ora,
nós tivemos o cuidado de dar o reajuste da inflação e uma pouquinha coisa a mais, com a preocupação de que, em algum momento, nós
vamos criar as condições para recuperar definitivamente o poder aquisitivo do salário mínimo. E nós vamos fazer isso com a maior responsabilidade
do mundo, porque nós não podemos aumentar a dívida que a Previdência já tem com os seus aposentados e o rombo que ela tem no seu caixa.
É humanamente impossível imaginar que poderia ser diferente. Ao mesmo tempo, é importante lembrar que, este ano, nós herdamos um esqueleto do
governo passado, de R$ 12,4 bilhões, que não estavam no orçamento e que nós vamos ter que pagar porque a Justiça determinou. Portanto,
nós vamos ter que arrumar R$ 12,4 bilhões para pagar aos aposentados que entraram com processo reivindicando o prejuízo que tiveram com a URV em 1993.
E vamos fazer um acordo com os aposentados para pagar parceladamente, porque não é fácil arrumar R$ 12,4 bilhões. Além disso, ainda tivemos
o cuidado de ter algum dinheiro para investimento, ou seja, nós precisamos ter um montante de dinheiro para investir em habitação e saneamento básico,
para gerar parte dos empregos que nós precisamos, sobretudo nas grandes regiões metropolitanas do nosso país. Cidades como São Paulo, Belo Horizonte,
Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Fortaleza, Porto Alegre precisam de investimento em saneamento básico e em habitação para que a gente possa gerar uma
parte dos empregos que a sociedade precisa. É por isso que nós não podemos dar um salário mínimo que eu, particularmente gostaria de dar
e tenho certeza que o ministro Palocci gostaria de dar, que o ministro José Dirceu, dar um aumento que pudesse chegar a R$ 300. Agora, fazer isso sabendo que não
tem dinheiro seria total irresponsabilidade nossa. Nós temos consciência de que o salário mínimo é pequeno, sabemos que é preciso
que o povo tenha um pouco mais e nós tentamos resolver isso aumentando o salário família. Por que? Porque nós queremos privilegiar a pessoa em
função das suas necessidades, afinal de contas, aqueles que têm filhos menores de 18 anos de idade, aqueles que precisam de mais ajuda são aqueles
que precisam ganhar um pouquinho mais. Mas o trabalhador pode ficar preparado que nós vamos trabalhar o ano inteiro, o mandato inteiro, na perspectiva de arrumar condições
de fazer com que o salário mínimo efetivamente possa ser muito melhor do que já foi em qualquer momento da história do Brasil e muito melhor do
que ele é agora. Agora, só podemos gastar aquilo que temos, não podemos gastar mais para endividar uma Previdência que só vai ser recuperada
ao longo do tempo, depois da reforma que nós fizemos.
Jornalista - obrigado presidente e até o nosso próximo programa.
Presidente - obrigado a você Luiz e até daqui a 15 dias, no próximo
programa. Um grande abraço a todos os ouvintes.
Jornalista - esta foi mais uma edição do Café com o Presidente. Até
o próximo encontro e acesse o nosso programa na internet www. radiobras.gov.br.