Jornalista – Olá amigos em todo o Brasil. Eu sou Luiz Fara Monteiro e começa agora mais uma edição do programa Café com o Presidente, o programa de rádio do presidente Lula. Tudo bem, presidente?
Presidente - Tudo bem, Luiz.
Jornalista - Como o senhor foi de festas de final de ano?
Presidente - Eu passei o ano em casa com a família. Terminei o ano, como disse no último programa nosso, no final do ano passado, feliz, alegre, otimista, acreditando que nós vamos ter em 2005 um ano melhor do que tivemos em 2004. Um ano em que a economia pode continuar crescendo de forma vigorosa. Um ano em que a gente pode continuar gerando empregos.
Jornalista - O programa Bolsa Família, que é um dos mais importantes da área social do governo, presidente, esse dinheiro já está circulando nas comunidades, nas cidades pequenas, entre as populações de renda mais baixa?
Presidente - O Bolsa Família atingiu, no dia 31 de dezembro, 6 milhões e 570 mil famílias recebendo o cartão do Bolsa Família. Isso significa o quê? Isso significa que nós temos aproximadamente 25 milhões de pessoas com a possibilidade de melhorar a qualidade de vida de suas famílias. Nós temos famílias, agora, com a obrigatoriedade de colocar seus filhos nas escolas. Nós temos as famílias participando mais do sistema de saúde no Brasil. Fazendo o pré-natal, dando as vacinas nas crianças.
O Bolsa Família é um grande programa. Às vezes ele incomoda um pouco os adversários, mas ele é o mais importante programa de transferência de renda que nós temos em toda a América Latina. E ele vai continuar crescendo porque este ano nós vamos chegar a 8 milhões e 700 mil famílias. E, se Deus quiser, em 2006 nós atingiremos a totalidade das famílias que, segundo o IBGE, estão abaixo da linha de pobreza. Ora, na medida em que a economia vai crescendo, na medida em que vamos gerando emprego, na medida em que vamos gerando distribuição de renda, certamente, terá mais gente que não precisa do Bolsa Família.
O Brasil que eu desejo é um Brasil em que, um dia, o Estado não precise ter transferência de renda porque as pessoas estarão trabalhando e ganhando seu sustento às custas de seu próprio trabalho. É isso que dignifica o homem, a mulher. É isso que nos dá orgulho: viver às nossas custas, às custas do nosso trabalho, do nosso suor. Enquanto isso não acontece, nós temos que ter essas políticas compensatórias, sim. Para garantir que as pessoas possam tomar café da manhã, possam almoçar e possam jantar.
Alguns se queixam das exigências. As exigências são necessárias porque não é uma punição. É um benefício a mais que nós estamos dando para as famílias pobres que recebem o Bolsa Família. Ou seja, todo pai e toda mãe têm a obrigação de mandar o seu filho para a escola. Até porque é a obrigação de um pai desejar e trabalhar para que seu filho tenha melhores condições do que ele - que estude mais do que ele, que ganhe mais do que ele. É esse o nosso sonho, enquanto pai. É esse o sonho de uma mãe. Então, o que nós estamos fazendo é estendendo um benefício a mais para as pessoas. Tem que cuidar da saúde? Tem. Criança pequenininha tem que tomar vacina. Criança até 14 anos tem que ir para a escola. Mulher grávida tem que fazer o pré-natal para que ela possa ter uma criança sadia, uma criança forte. Uma criança que possa se tornar um brasileiro ou uma brasileira de que o Brasil vai se orgulhar no futuro.
Jornalista - Esse é o Café com o Presidente e estamos falando do que vai render frutos em 2005. Presidente Lula, como está o acesso ao crédito para o cidadão? É um projeto de que o senhor falou com bastante otimismo no ano passado.
Presidente - Eu acho que 2005 a gente poderia denominar como o ano do microcrédito no Brasil. E mais ainda: o ano das cooperativas no Brasil. Porque, você sabe, nós tiramos todos os obstáculos que tinham de ordem legal para organizar cooperativas de produção e cooperativa de crédito no Brasil. Nós estamos facilitando a inclusão bancária de milhões de brasileiros e brasileiras que não tinham acesso ao sistema bancário brasileiro. Portanto, agora, eles podem ter um empréstimo sem muita exigência. Nós temos o crédito consignado que está possibilitando que milhões de trabalhadores tomem dinheiro emprestado a juros mais baratos, não apenas para pagar sua dívida, mas para comprar alguma coisa nova.
Eu estou certo, otimista, acreditando que 2005 será o ano em que nós vamos consolidar definitivamente o Brasil como o grande país do microcrédito, como o grande país da cooperativa, e um grande país em que o povo possa ter acesso a financiamentos. É por isso que estou otimista. Por isso, estou acreditando que este ano será o ano em que as coisas irão funcionar melhor.
Jornalista - Presidente, quando o senhor brindou a virada do ano, no dia 31 de dezembro, o que o senhor desejou para o povo brasileiro? O que o senhor deseja para 2005?
Presidente - O que eu desejo para 2005 é que o povo brasileiro, primeiro, não perca nunca o otimismo, a esperança. Desejo para 2005 que a gente continue merecendo credibilidade do povo brasileiro, um povo generoso. É só a gente ver o que o povo está fazendo agora na questão da solidariedade com os países asiáticos que foram vítimas daquele maremoto. Ou seja, dá para a gente ver que esse povo tem um coração maravilhoso. Tem uma cabeça maravilhosa e que, por conta disso, esse povo continue sendo generoso consigo mesmo, com o Brasil, que cobre o governo quantas vezes quiser cobrar porque nós somos governo para sermos cobrados. Mas que não perca nunca a esperança. Nunca perca a esperança de que as coisas vão funcionar corretamente e que o Brasil vai ocupar o seu lugar de destaque no mundo. Eu desejo isso para o povo brasileiro e vou trabalhar para isso.
Tenho mais dois anos de mandato, ou seja, não tenho mais dois anos de mandato. E eu quero dedicar cada dia que falta a trabalhar cada vez mais para que o povo possa colher os frutos que ele espera colher do nosso querido país.
Jornalista - Obrigado presidente. Um feliz 2005 para todos nós. E o Café com o Presidente volta daqui a 15 dias. Você pode também acessar o nosso programa pela internet no endereço: www.radiobras.gov.br . Um abraço e até o nosso próximo encontro.